Gravidez diminui entre jovens e aumenta após os 35 anos na RMS

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Enquanto anualmente o número de mães com menos de 20 anos diminui na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), a quantidade de mulheres que dão à luz após os 35 anos aumenta. Segundo dados da pesquisa de Registro Civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 13,7% (3.843 bebês) dos nascidos vivos nos 27 municípios que compõem a RMS no ano passado eram de mães adolescentes. Já 15,1% (4.228 bebês) foram gerados por mulheres com idade entre 35 e 49 anos. 
  
Em 2006, dez anos antes, os dados do IBGE apontavam justamente o inverso, embora a RMS ainda não tivesse sido instituída. Conforme a pesquisa, nas 27 cidades, em 2006, quase cinco mil bebês nasceram de mães adolescentes. Já a quantidade de bebês de mulheres com mais de 35 anos foi de 2.771. 
  
Segundo a socióloga Fernanda Montes Ribeiro, cada vez mais as mulheres estão adiando e se preparando para o momento da maternidade, com um planejamento familiar que também leva em conta a estabilidade financeira e a vida profissional. 
  
Embora costume ocorrer de forma mais planejada, a maternidade tardia, como é denominada pelos médicos a gestação após os 35 anos, pode oferecer mais riscos tanto para a mãe quanto para o bebê. A fertilidade da mulher após essa idade atinge um estado mais crítico, diz o médico obstetra Carlos Henrique Gomes. "É quando a quantidade e qualidade dos óvulos começa a piorar de maneira significativa e a mulher que tenta engravidar começa a encontrar dificuldades reais para conceber, porém, cada caso é um caso e cada paciente tem suas especificidades." 
  
De acordo com o obstetra, caso a mulher decida adiar a maternidade, é importante se consultar com um especialista e acompanhar rigorosamente a gestação, pois, segundo ele, os riscos de malformações congênitas no bebê são maiores. 
  
As taxas de doenças genéticas (como a síndrome de Down, a mais comum nesses casos) são mais altas entre gestantes nessa faixa etária. "É mais arriscado sim, mas se a gravidez for planejada com antecedência, a mulher pode ser preparar e tomar alguns cuidados básicos pré-natais, e dessa forma a gestação e o parto podem ocorrer de forma tranquila", afirma Gomes. 
  
Gravidez precoce 
  
Na RMS, segundo o levantamento de 2006, 152 adolescentes ou meninas com menos de 15 anos deram à luz. Em 2016 esse número teve uma pequena queda, com 124 casos de maternidade precoce. "Infelizmente ainda há muitas garotas que se tornam mães cedo demais, em gestações indesejadas e isso é uma herança das gerações passadas, pois as mulheres casavam-se muito novas e já constituíam família. Isso persiste com o início da vida sexual precoce", observa o médico. 
  
Em todo o Estado, de acordo com o IBGE, 2.688 adolescentes com menos de 15 anos se tornaram mães em 2016 e dessas, 1.907 frequentaram a escola por menos de sete anos. Ainda segundo o órgão, em todo o País o perfil da maternidade na adolescência está relacionado à pouca escolarização e baixa inserção no mercado de trabalho. A mãe adolescente, aponta a pesquisa nacionalmente, é predominantemente preta ou parda (69%), não completou o ensino médio (85,4%), se dedica a afazeres domésticos (92,5%) e não estuda nem trabalha (59,7%). 
  
Conforme informações do Ministério da Saúde, a região com mais filhos de mães adolescentes (com menos de 20 anos) é o Nordeste (180.072 -- 32%), seguida da região Sudeste (179.213 -- 32%). A região Norte vem em terceiro lugar com 81.427 (14%), depois a região Sul (62.475 -- 11%) e Centro Oeste (43.342 -- 8%). 
  
Entre os municípios que integram a RMS, Sorocaba é o que teve mais nascimentos em 2016, com 8.909. Desses, 1.031 de mães com menos de 20 anos e 1.524 com mães de 35 anos ou mais. Itu é a segunda cidade com maior quantidade de partos, com 2.274, seguida por Itapetininga (2.077). Votorantim registrou 1.651 nascimentos, enquanto Tatuí contabilizou 1.616 ao longo do ano passado. 
  
Dos 27.892 nascidos na RMS em 2016, 14.215 (52,6%) eram meninos e 13.677 (47,4%) eram meninas. No ano de 2015, toda a RMS somou 27.165 partos, com 14.069 bebês do sexo masculino e 13.096 do sexo feminino. 


Fonte: jornalcruzeiro.com.br